valsa das violetas


15/01/2010


A    SEDUTORA DOS SANTOS

Ela era assim:Cabelos muito ruivos,ora com mexas mais obscurecidas,ora com mexas vermelho sangue,tão vermelhos como se lhe tivessem  golpeado-lhe o crânio,e dele escorressem longos filetes de sangue e vinho.E caíam-lhe como um convite a paixão mortal que ela exalava.A pele de porcelana,uma porcelana de penugens muito finas,como um pêssego maduro.Os olhos,jamais se decidiram,se queriam serem verdes ou cor de mel.Mudavam conforme a claridade e hora do dia,porém o verde quando assumia,era um verde como o lodo que se forma no fundo das coisas obscurecidas aonde a luz mal chega,e a umidade impera,como no fundo de um poço brumoso.
A boca,era apetitosa e carnuda,e ela fazia questão de tingir-lhe de um vermelho escarlate até mesmo quando ia dormir,mesmo que sozinha.
Tinha as formas bem fartas e generosas,quadris largos,seios volumosos e voluptuosos..Era como lhe disse um poeta que a tinha como musa,uma vez:"Minha querida,tua beleza é tanta que chega a ser obscena!"E era justo este o elogio que mais a agradou,dentre os milhares que recebeu na vida.Pois gostava das coisas obscenamente belas.Tinha pavor de coisas insossas.
         E havia um compromisso diário que não faltava jamais.Ia as aulas de tango todas as tardes obstinadamente,houvesse o que houvesse.
Adorava particularmente cores e coisas que gritassem algo.Por isto a predileção pelas cores fatais.
Todos os dias por volta das cinco da tarde,sentava-se num banco da praça das acácias e se punha a olhar os noviços do convento santa Tereza.
E seu coração vibrava como as cordas de um violino,num solo perturbadoramente belo.
Como eram belos com aquela aura santa,aquele olhar recatado,que sempre voltavam ao chão!Como era doce o ar da castidade e como eram lindos em teus hábitos imaculados!Como ela era devota daqueles seres tímidos !E uma compaixão triste,misturada a uma fascinação incontrolável a fulminavam.E punha-se a sussurrar,mordendo os lábios,sempre:Pecado é viver sem  conhecer a embriagues do amor,crime é viver sem se entregar ao vinho da paixão!
Imaginava então, a vertigem que lhes causaria um beijo cálido...Imaginava-os como uma tela em branco,omitindo-se a arte.
E como se desafiasse a Deus,numa brincadeira sarcástica,ria-se:Se quisesse lhe tiraria todos eles!Um a um!!
       Ela tivera até seus 25 anos  algo em torno de meia dúzia de namorados.Isto sem contar os amores platônicos,admiradores e pretendentes que a cortejaram e que dela se enamoraram.Embora ela amasse se apaixonar não tinha pressa.Aliás,tinha muita parcimônia.Nunca foi do tipo vulgar.os escolhidos sempre tinham algo de muito especial.Odiava pessoas e coisas ordinárias.Sempre rejeitava os galãs baratos e pretensiosos,metidos a conquistadores.
Destes, ela tinha o mesmo nojo que tinha ao olhar os porcos devorando as lavagens imundas,na chácara de sua madrinha Dalva, em alguns domingos em que ia visita-la.
Isto explicava a recusa a tantas propostas  de namoro e casamento de homens de posses,estudo,prestígio,beleza e  inúmeros atributos desejáveis a qualquer outra mulher. O que despertava a atração eram os tímidos,os que se guardavam e se escondiam do amor,das sensações arrebatadoras,ou mesmo o que os outros julgavam como  frios..Primeiro,ela os olhava,e ia os encantando usando de todos os artifícios inimagináveis.Tentava-lhe adivinhar as fantasias mais íntimas e secretas.E depois as vestia como uma atriz que veste uma personagem.E não era pérfida,nem por um único segundo,pois acabava sempre por se tornar mesmo aquelas fantasias.E era como aqueles tangos antigos,no qual ela se escolara desde a adolescência.Se um dava um passo a frente o outro,um passo atrás,este era o compasso em que o desejo se torna foras.
Sem que eles percebessem,eram como insetos atados numa teia, prestes a serem devorados pela' viúva negra'.
E quanto mais contidos,racionais e comedidos fossem os pobres infelizes,tanto mais desequilibrados e obcecados por ela,fatidicamente seriam.
E isto a  fascinava,deliciava,a enchia de euforia,a fazia sentir-se viva,acendia nela a centelha de vida que ,sem esta maravilhosa sensação ia se apagando,fazendo-a se sentir como enferma numa existência de inércia.E se por ventura,um deles resistisse,ela se inflamava de paixão a ponto de andar febril,perder o apetite,sonhando acordada com o 'herói resistente' e chagava até mesmo a cometer  várias loucuras para que ele cedesse .
E por isto,a felicidade e o êxtase que ela causava a cada um deles era infinita e arrebatadora.Nenhuma outra mulher se dedicaria como ela a faze-los tão felizes  com tanto esmero.Cultivava desde então recordações  tão especiais que lhes assombrariam por anos e os fariam desejar te la novamente.Tratava de se tornar insubstituível,inesquecível e incomparável.Nunca foi menos que a melhor noiva,namorada e amante de todos os tempos.
E se por ventura,um deles resistisse,ela se tornava obstinadamente e serem felizes mais irresistível,se inflamava de paixão a ponto de andar febril,perder o apetite,sonhando acordada com o 'herói resistente' e chegava até mesmo a cometer  várias loucuras no intuito de seduzi-lo, para que ele se visse arrebatado .
Mas quando se dava o ápice  da paixão,da loucura e do arrebatamento,começava-se o drama.
Ela se torturava e os torturava por vertigem,ria,chorava,desdenhava,suplicava,os empurrava,os puxava desesperada para si,provocava-lhes...Tudo por uma emoção a mais.E era ai que a dança se tornava mais dramática,frenética e bela.Neste ponto,era fascinante ver sujeitos antes sensatos,coerentes e  circunspectos ,suplicarem como crianças,se arrastarem,e ameaçarem por um fim em sua própria existência se ela os deixasse.E daria mesmo tudo o que possuía,seria mesmo capaz de entregar sua alma num pacto com o Diabo,por uma paixão que não tivesse fim,não se tornasse morna,com o passar dos anos.
Mas no fim das contas,afinal souberam todos o que era viver,e não apenas existir de forma enfadonha e insossa.Ela considerava como uma imensa caridade,como algo glorioso.Fazer-lhes sentir-se vivos,sentir as foices da paixão,dança-la com graça e excelência.Provar o  néctar da vida sem diluições,o sabor mais doce que a vida pode oferecer e o mais amargo,sentir o sangue correndo nas veias...tornar criaturas medíocres em poetas,trovadores,ébrios,loucos,suicidas.Houve até mesmo um deles que chegou a contrair tuberculose e fragilizado pelo fim do relacionamento,veio então a morrer de amores.Quanta honra,para uma existência que seria condenada a fenecer tediosamente,se tornar decrépita e decadente!
        E assim ela viveu até os vinte e cinco anos de idade,quando,por acidente,esbarrou-se com um jovem noviço no lotação que coincidiu de sentar-se a seu lado.Ele tinha as feições delicadas e pálidas como os santos da igreja a qual frequentava com sua mãe,desde menina.A aura de mistério que ele exalava era tão violenta,quequase se via uma auréola coroando -lhe a bela fronte.E tinha um aroma santo de rosas brancas,que fez seu coração bater mais forte.Ela trazia um pacote de maçãs bem maduras e vermelhas ao colo,e o aroma das maçãs se misturou ao de rosas brancas.Ela,sentiu-se purificada  e santa,contudo o coração disparado,e a respiração ofegante que tentava disfarçar.Ele,de olhos sempre abaixados,ar sereno,trazia meia dúzia de livros  apertados ao peito,um terço prateado entre os dedos longos brancos e os gestos absurdamente gentis.Ela,nada podia fazer,paralisada.De  repente o lotação se aproximou de seu ponto.Abriu a boca e levantou-se para pedir-lhe licença,mas o lotação freou e as maçãs se espalharam pelo chão do veículo e sobre o colo do noviço.Ele a amparou junto as maçãs.E os cabelos ruivos caíram sobre o hábito e os livros santos,tingindo-os de escarlate.Num semi-sorriso tímido perguntou se ela havia se machucado.Tinha a voz cálida e doce,como nunca ouvira,de um homem antes. O toque dele era como de um arcanjo da mais alta hierarquia celeste,como de uma seda alva.A arrebatada,desta vez foi ela.
Ela esperava os dias em que ele saia do convento para cumprir tarefas internas do mesmo, e passou a espera-lo,tentava adivinhar-lhe alguma fantasia,mas não conseguia.não conseguia ser mais a mesma!
Diante dele,era só uma vontade de desfalecer-se,uma palidez,uma vertigem violenta que a deixavam com aspecto de  mártire as portas da agonia.
        Certa vez,ao encontra-lo em frente a igreja,ela chegou a desfalecer em seu colo.Pendeu a cabeça  sobre teus braços,os cabelos dela sangraram sobre ele,era como como se toda a paixão,todo seu coração febril ,desejo e todos os seus pensamentos sangrassem  seus pecados,os lábios carnudos e rubros entreabertos,a fronte delicada,suando frio,gélida,frágil,pálida,o pescoço longo e tão feminino...De repente o céu e toda idéia de outro paraíso lhe pareceu ridícula e infinitamente inferior aquele instante,aquela mulher,toda idéia de santidade fora do amor lhe pareceu patética. Finalmente o coração do jovem despertou como em brasas.Quando ela ameaçava voltar a Consciência,foi acordada com um beijo..Ele deixou que a bíblia que trazia junto ao peito fosse ao chão.Foi um beijo demorado e não tão santo.Que a deixou sem forças,o aroma de rosas brancas a penetrou profunda e lascivamente.Cala-frios intensos e impiedosos percorreram cada poro de seu corpo,o coração prestes a saltar pela boca.Sentia-se morrer.Pela primeira vez,se sentia sem saber o que fazer,completamente desesperada...Ele a soltou,pegou a bíblia caída ao chão.Sorriu,de forma encantadora e cortês, disse adeus e se trancafiou no convento.Nos dias que se seguiram ,era sempre outro noviço quem cumpria as tarefas do convento.Ela nunca mais o viu.Foram anos de  batidas a porta e cartas sem resposta.
Finalmente,sua paixão durou enquanto ela viveu...

 

(Gabrielle Violet)

Escrito por gabrielle violet às 00h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

12/08/2008


Conto_A fome do coraçao

Desde os sete anos de idade,ela doia-se naquele enigma daquela estanha fome,a qual secretamente esvaia-lhe o viço e castigava-lhe,sem que ninguém pudesse faciar. sabia-se irremediavelmente erguida ,em cada célula do seu frágil corpo infantil,misteriosamente apenas para amar.E quando lhe faltavam coisas a amar,era como se houvesse um grande buraco em seu peito que lhe tirava a vontade de brincar como as demais crianças, a vitalidade e alegria tao típicas nesta idade.Era um ardor torpe,um transbordamento de sentimentos cálidos,um descompaçar de coraçao sem mais nem menos,que ela em sua infinita inocencia,chamava de 'fome do coraçao´.Sentia em seu peito tao pequeno combustoes de sentimentos tao inefáveis que as vezes ia chorar e se fugir das pessoas no 'colo das flores',suas únicas cúmplices naquela precoce e dolorosa vontade de amar liricamente ate desmanchar-se!
Frequentemente era repreendida por suas atitudes 'estranhas'.
Nao podendo falar de seus anseios,que eram ditos impróprios para sua idade,resolveu silenciar-se.Sentia-se aflita para ter um romance que lhe consumisse por inteira.Entao,descobriu genesis lúdicos,nos quais podia criar amores imaginários de fazer Rudolph valentino,sentir-se mediócre,superado e até mesmo humilhado.
Os filmes romanticos que via assiduamente na tv,lhe davam febre e a inspiravam mais,se e que era possível.Ela os achava tao cruelmente lindos,que ficava inexplicavelmente febril e absorta sobre o sofá com uma expressao que mesclava contentamento e melancolia.E deixava os adultos atonitos,desconcertados e confusos.
Levaram-na em inúmeros médicos,que foram inúteis em sanar'sua doença'.Era uma criança estranha e diferente...O que se haveria de fazer?Apenas comtempla-la e vigiar seus delírios bem de perto.Era o que restava!
Tamanha era sua vocaçao e sede romantica, que teve romances imaginários,platonicos e profundos com cravos,beija-flores e personagens de livros aos quais ninguém podia repreender nem proibir.Adorava se derramar languida e se imaginava nos braços de um nobre cavalheiro que ao qual tanto amasse,que a deixasse lívida e sem ar...Almejava a sensaçao doce de sentir-se desfalecendo num desmaio de amor.
Sonhava com encontros,galanteios,promessas,juras,cartas de amor,beijos que quisessem beber-lhe a alma!Como os dos filmes... E propostas de casamento,feitas de joelhos suplicantemente...
Morava numa casa,num pequeno predio,num lugar que se assemelhava-se a uma vila.E era cuidada pela avó materna que era decendente de ciganos espanhóis e que em sua juventude,fora uma espécie de vedete.Esta conservava um grande acervo de indumentárias e apetrechos antigos que evocavam imenso glamour e feminilidade.Os olhos da pequena brilhavam diante delas.E bastava que sua avó recebesse algum cliente,para os quais costumava ler a sorte num velho taro,e se distraísse por alguns instantes,para que a menina se vestisse como uma pequena rainha,com as rendas mais finas,com as jóias mais nobres da avó,com os pequenos lábios pintados do tao adulto carmim e partisse afoita para descompaçar o coraçao.E ela saía com a urgencia e a euforia de uma namorada que tem o encontro mais esperado de sua vida com seu grande amor.Ia caminhando altiva,como se tivesse a oferecer toda a beleza do mundo,sem jamais olhar para trás.E sem ouvir os sermões dos visinhos que encontrava no caminho e seus apelos para que voltasse para casa.
Caminhava até que a noite caísse,.Acreditava que encontraria em alguma paisagem,daqueles tantos lugares pelos quais passava o seu grande amor,o encontro de seu ideal,úma paixao fulminante.Mas só encontrava garotos que adoravam quebrar vidraças,dizerem palavras imorais,matar passarinhos e jogar bola.E estes nao sabiam de coisa alguma,nao se podia ama-los, e isto a entristecia mortalmente.Todos de gestos tao rudes e vazios de encanto!Estes nunca chegariam os pés dos nobres cavalheiros de suas ilusoes...
E quando ja nao havia horizontes para explorar ou mais ninguém a quem encantar,comover e seduzir com sua apariçao,ela se sentava e esperava pela avó que vinha atrás da pequena,aos berros,desesperada e aflita.A avó,indagava incansavelmente a neta,o que se passava por sua cabeça,na vã tentativa de compreender o comportamento tao peculiar e atípico da neta.
A visinhança acompanhava qual platéia maravilhada,aqueles retornos da pequena 'dama das utopias',como se diante de um espetáculo dos dantescos e fascinantes.
A ignorancia do senso comum,logo fizeram da menina um pequeno mito,alvo das mais escabrosas,bizarras e incoerentes especulaçoes.
Desde louca até possuída pelo demonio,eles a julgaram.
Sem sequer compreenderem apenas que sua alma nascera amando 'o encontro' de outras insóndaveis quimeras.Era uma alma de natureza lírica e sonhadora!Ela apenas sentia que precisava,acima de tudo, se encontrar a alguém que a esperava em algum lugar.Como uma bailarina que sabe com desteza e graça os passos do seu grande ballét e que é trancafiada numa masmorra estreita e escura...E entao todos nós nao acordamos para isto um dia e nao passamos a vida em busca deste encontro?
Porque seria tao inaceitável e absurdo que isto,seja o primeiro puro e original desejo de alma?
Porque se deve esperar pelo vil instinto de reproduçao,para que as palmas das maos se beijem?Para que palavras doces sejam ditas?Para que se olhe languidamente e para que o coraçao descompasse?
finalmente aos oito,um garoto diferente pegou em sua mao,como quem toca na coisa mais frágil e preciosa do mundo.Um menino que preferia percorrer campos floridos para trazer belas flores para enfeitar-lhe os cabelos e matar-lhe a 'fome do coraçao',a quebrar vidraças ou outras molecagens.E ela nunca foi tao feliz,em toda infancia.Brincavam a brinadeira mais bela que já houve em qualquer infancia,a de dispararem o coraçao um do outro...Brincavam maravilhados de encontrarem palma com palma,das pequeninas maos...
E numa noite azul de intenso luar,ela se vestiu com um vestido de dama de honra que estava guardado em seu armário,e secretamente se casaram e sonharam em se encontrar pela eternidade de uma vida inteira,como nos passos de uma valsa que nunca se acabaria.
Este menino dos campos de flores,teve que partir...Mesmo sem querer,para muito longe.E ninguém soube o quanto era sério o que sentiam.
Quem sabe por que campos de flores ele correrá hoje,ja crescido,para buscar flores para o cabelo de outra.
O que importa realmente,e que o amor foi sua única infancia.
Hoje,a garota ainda ve e acredita nos antigos romances como um naúfrago ve miragens que o fazem perder-se! Etéreos estes embaçam seus olhos,a seduzem,a entorpecem...Tal qual antigamente.
Doloroso é descobrir que diante de um coraçao mais frágil e delicado que uma vidraça de cristal,hoje'garotos de campos de flores' preferem quebra-lo em mil pedaços...

Escrito por gabrielle violet às 22h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

19/07/2008


Minha jóia lua

cai a noite e vem a lua sedenta
beber-me a vida,
se embreagar de meu pranto,
como sua viciosa bebida.

Vem a lua fazer-me insana,
e desvairar a amar saudades,
E florir meus olhos em flores lunares
E ser dela a perfumada cama!

E me possui o corpo de mim perdido
Os gestos que o luar a muito ocultou,
E min'ha alma se desfaz numa caricia azul
A insone noite do infinito.

A explendida lua de prata
E minha cara joia abstrata
Que me enfeita os olhos quando,so o que resta,
E Morrer aos pouquinhos de amor!

Escrito por gabrielle violet às 21h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

01/07/2008


Angélica

Ergueram-me os anjos,dos abismos dos vazios do mundo.
O que em mim era ego,hoje e luz e campo de flores,fecundo!
E num coro sublime cantaram o coraçao que agora e meu,
E meu amor se tornou um hino de louvor,que se alvoreceu,

Me resgatou o coro angelical,da morte certa
E me fizeram amar a tudo que o amor liberta
Me salvaram dos mares de lagrimas que me cobriam de horror,
E fizeram minha alma navegar em deleitoso fulgor,


Em minha boca derramaram a graça profunda e indizivel,
Dos segredos da abobada celeste,excelsos e invisível.
E meus olhos doravante so amarao o que o coro angelico teceu!


Ressucitaram em meu peito,os sonhos que o mundo covarde matou,
Revestiram-me a aura,de um milagre Tao supremo que me coroou,
Como dentre os mortais,aquela que da alegria dos anjos nasceu!

Escrito por gabrielle violet às 22h43
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

26/06/2008


A inesquecivel

Se o resto do mundo,teme a morte,
Eu com ela,sempre em meus sonhos me deparo...
como sonha uma donzela com um vestido caro
Para ser vista por seu amado e dar-lhe sorte!

Sei que ela ha de emoldurar meu rosto em teus pensamentos,
Minhas palavras,tomaras como tuas reliquias,
Amaras minhas lembranças com minunciosas perícias
E suspirando viveras das nuvens calidas de meus sentimentos.

Serao meus beijos almas que vagam aflitas
E tu desejaras encarna-los nos labios teus,
Desejaras meus cabelos como manto que tua ternura teceu,
Minha voz,ecoara como das melodias a mais bonita!

Que me cubra entao este balsamo cheiroso
E nele me banharei pelo teu almejado amor!
Quero apenas tua saudade como paraiso de explendor.
Da-me teu peito como sepulcro glorioso!

Acolherei tuas penitencias na eternidade latente de minha juventude.
E os anos me farao mais bela,perfumada e querida!
Como para ti,jamais seria em vida.
E serei dentre todas a deusa das quiméricas virtudes!

Como quero a morte,desta palida vida desprezivel!
Que injusta, me fez ser por ti na indiferença,desdenhada.
Que jamais me revelou se fui algum dia, por ti adorada.
Como a gentil sepultura,que me fara dentre todas,'a inesquecivel'!

Escrito por gabrielle violet às 17h44
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

25/06/2008


adoravel veneno

tremula e suplicante verte a doçura lancinante dos labios meus,
Em convulsoes de saudade sem cura
que covardemente exilastes,sem lisura
deste palacio intangivel,do peito teu!

Oh!doçura abismal que me corre nas veias dolente
E triunfante como a gloria torrente da melancolia
Transformando meu rubro sangue tao somente
No mais fino licor da poesia!

Ah,doçura visceral,que de prazeres e dores me esvanece!
Que tornastes meu coraçao numa nobre delicatessem,
De delirios,utopias e ilusoes que me devoram e me apetecem!

Este veneno de gentilezas adivindas de teus acrisolados primores,
E veneno lascivo que faz-me caricias torridas na veia cardiaca e débil
Alegria unica que me destes,antes deste derradeiro sono flébil
Mas anseio morrer,para florecer a ti em adoraçao e louvores!

Esta doçura,engole minh'alma com esmero
E ainda nao saciada
em mim se faz tao adoravel peste...
Que quanto mais a venero em minha ultima agonia,
Tanto mais a quero!


Escrito por gabrielle violet às 16h30
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

19/06/2008


Minha ambiçao

Oh,querido!Se nao tens nada a dar-me,nao desejo nada mais desta vida!
Ambiciono apenas amar-te mais e mais convulsivamente,
Agora e sempre,em esferas oniricas e divinas,inevitavelmente...
Quero de amores por teus encantos,morrer aturdida!

Se tens alguma compaixao ainda neste peito teu,
Da-me sorrisos incandescentes e escravizantes,
Para que possa idolatra-los e servi-los,o quanto antes!
Para que faça deles o castelo do amparo meu!

Ah,amor!Cobiço amar-lhe os detatalhes e as augustas minuncias
Que ainda,pobre de mim!Desconheço,miseravel e mal fadada.
Quero de lembranças de teus gestos solenes ser abastada.
Da-me mais o que amar em ti,e morrerei saciada em renuncias.

Deixe que te contemples quietinha como quem adora a deus...
Da-me de esmola,a galaxia intima do ocio que sereno tu enfeitas,
Deixe que ame e beije tuas singularidades imperfeitas,
como preciosos e perfeitos tesouros meus!

Escrito por gabrielle violet às 12h29
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Amor e vinho

O amor e como o vinho...Pois e o primeiro extrato que a existencia mascera e que o tempo fermenta e depura em nosso intimo e que nos escorre,sob um impeto e o reflexo involuntario na busca pelo outro.E o primeiro vinho do qual nos embreagamos,mesmo que inconcientemente.O amor e o vinho metafisico mais legitimo,do qual ninguem escapa de degustar nem mesmo dele se embreagar,ainda menino.Ha de se ter paladar muito apurado para saber destinguir sua natureza,posto que existem dele,diversas qualidades.E como vinho da alma,adiquire o teor daquela em que se armazena e de como e tratado.Cabe a cada um de nos,determinar se ele sera suave ou seco,se este sera fino ou barato.Cabe a cada um de nos o cuidado com seu preparo ou a falta dele,a dedicaçao e a minuncia com que este sera preparado,ou a falta dela.
Ha os que se contentem simplesmente com a embriagues que este lhes causa.Uma embriagues que se destingue do vinho real pela gentileza misteriosa e autruista.Com um toque amavel,este lhe fecha as palpebras para as dores e vazios mais aterradores da existencia humana,lhe tapa os ouvidos para os rangeres de dentes e gemidos do mundo,lhe tira do peito as angustias e as magoas,lhe tira dos labios os residuos de feu e venenos,lhe fecha com um beijo divino feridas incuraveis e lhe impele a ver os vultos da beleza,mesmo sob os dias mais cinzas,sob as paisagens mais pobres e hostis.Os que se contentam com esta embriagues,nao veem razao para se cansarem,para se agastarem ou desgastarem no cultivo,na feitura ou no armazenamento.Este e o vinho de hoje,mas se o tentares conservar, busque por ele amanha e encontraras apenas o sabor acido do vinagre.Porem como a embriagues do vinho,esta tambem tem seu ciclo volatil e um dia se esvai.E o os que buscam apenas embriagues,precisam sempre de mais vinho e nunca estao satisfeitos por muito tempo ...
Mas ha aqueles que nunca descansam...Para estes,o sabor do nectar e arte.Estes,amam e encontram um prazer incomensuravel em dar-lhe o sabor das notas com dedicaçao e grandeza.Conservam seus coraçoes calidos,mesmo diante das piores amarguras.Eles,derramam sua compaixao,sobre o que tocam,se lançam ao que semeiam,sabem que a beleza doi e ainda assim,sao cada dia mais belos.Se tornam chuva quando ha seca,se tornam como dias de verao quando o inverno e demasiado rigoroso,sopram como brisa fresca quando o sol arde escaldante,florescem como primavera para enfeitar o que e vazio e triste...Enquanto o resto do mundo julga-lhes,idealistas,vencidos,tristes e sos,eles apenas esperam que o vinho se fermente e se depure. Alquimicamente estes agora derramam a alma num elixir tao suave e tao fino,capaz de proporcionar um estado de graça e extase espiritual que vai muito alem da reles embriagues voluvel,do amor 'barato'...E quando guardados so se tornam mais saborosos,atraves dos anos.E o servem entao,aqueles aos que bem querem,aos que possuem paladar apurado e sensivel...Seus olhos,como tarças transbordam abundantes,nao mais vultos,mas como adega sagrada da beleza.

Escrito por gabrielle violet às 04h02
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/05/2008


Meu reino


No mundo austero nunca encontrei aonde pudesse,minha fronte repousar
Nunca Mao capaz de tocar-me o coraçao,sem o destroçar
Nunca encontrei que aquecesse meu frio sequer um abraço,deveras calido
Na vida um farelo, que pudesse minha fome real saciar.

Consolo-me desta miseria de amor e encanto,
Construindo de versos e acalantos,uma era e um reino fulgurantes.
Aonde faço dos sonetos meus amantes,
E sirvo-lhes,como o mais fino dos vinhos,de felicidade meu pranto.

E o lirismo e a estaçao que perdura em luar.
Meiguices azuis,roseas e douradas,marcam os dias e noites
Adornam-nos a fronte guirlandas trançadas de amor e estrelas
Espasmamos graças e saudades em reverencias a cantar.

Oh,terra bendita e ideal que me abrigas deste mundo lamentavel.
Terra onirica aonde a cortesia e mais vital que o ar...
Aonde o amor nos talha como artista obstinado,a delirar.
Minha patria amada!Onde a devoçao e lei eterna e irrefutavel!

Erguem-se de versos,Festas,sombras,rostos,beijos e sua melodia...
Perdem-se em versos os que precisam ir ao encontro...
Decantam-se em versos,todas as coisas lindas e perdidas do mundo
Correm-nos versos como sangue que nos irmana com hereditariedade da poesia


Neste reino de gentilezas,nao ha abandono ou desamores.
Apenas febre de caricias candidas.
Nao ha indiferença ou frieza de sentimentos
Porque la,todos temos almas de flores.

Escrito por gabrielle violet às 14h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

14/05/2008


intimas Suplicas

Quisera eu,mais do que a vida,que me pudestes dissolver
em teus beijos frescos e perfumosos de manhas...
Depurar-me em tua boca,este doce abismo de graça louça!
Como a chuva que se derrama pra se perder...

Ah se eu pudesse evaporar num perfume em demasia fino...
Para levitar,em teus suspiros suaves e perfumosos!
E embalssamar-lhe,com o elixir da minha idolatria brumosa...
Oraria devoto em tua pele sacra, como na igreja santa ora o peregrino.

Ai,de mim!Infeliz que nao posso adentrar-lhe como doce cançao.
Daria este corpo vil aos chacais,se pudesse tocar-lhe como sonata.
Ou simplesmente a mais carinhosa e enluarada das serenatas!
Para tocar-lhe o precioso e inigualavel coraçao.

Ai!quem me dera!Que pudesses tu,com o doce toque de tua delicada mao,
Como Quem aperta um tesouro que lhe e muito valioso,
Esmagar num afago lento e amoroso...
Para sempre meu ,suplicante coraçao!

Escrito por gabrielle violet às 14h21
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

triunfo

Nao me importo que me repudies,que me ignores,
nem que me vires o rosto,ou que me sejas indiferente...
Tenho um triunfo maior e irrevogavel.
Tua existencia miraculosa e cada segundo em que lembro de que existes,
Eleva minha alma Muito acima das estrelas e enche-me de uma alegria que escorre pelos meus olhos.A mera existencia de teus olhos,tiranamente adoraveis...
Como minhas tardes trancadas em ti...
Como meu destino roubado...Mas ainda assim,meu destino,
Quando menina,meu brinquedo era sonhar-te,ate que me ferisse.
E ainda e...
Procurava-te aflita,tateando o impossivel.
E agora descubro-lhe inacreditavelmente real.Vestindo o terno que teei com as mais nobres ilusoes.Estas erguido de minhas febres,dos pes a cabeça.
Tua alma cintila,com a excelencia nobre e intima dos delirios de minha inocencia.
E nao ha nada mais assombroso e belo.
Teu coraçao,relicario das minhas juras,bate..E nele dorme cansada toda a gloria do mundo,como a criança que amamento em paz.
Teus sorrisos,ainda se abrem,refletindo e celebrando o brilho de nossas lembranças.
O que mais poderia desejar da vida?Me fecundaste o ventre e a alma de poesias ate o fim de meus dias...
Amo-te apenas como os poetas amam as estrelas,
Como os naufragos amam as miragens.
Repousada em teu abandono,rogo pela tua felicidade.
Pois a minha e eterna e inabalavel.

Escrito por gabrielle violet às 12h57
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

08/05/2008


PROSA-Sobre mulheres e flores...

Minha beleza te implora que a desfrutes,que a deflores,como nada nunca suplicou antes...Renunciarei ao paraizo,pelo extase do toque de tuas maos.Nao quero outro ceu,ou outro coro de anjos que nao tuas caricias.Nunca houve assassino mais voraz do que o vazio que circunda minhas fantasias.Tua falta me asfixia.A falta do bale amoroso dos teus dedos em minha pele me causa infinitamente mais pavor do que minha morte.As nuances que se derramam em meu corpo,todo o perfume inebriante e urgente que brotam de sonhos antigos,das tuas visoes,caem no pavor de tua ausencia.Quando era primevera,meus sorrisos te bordavam a alma.Respiravas minha graça e nada mais.De meus olhos brotavam teus dias. Eras hebrio do orvalho calido de meus beijos...Meus beijos que floriam mais sublimes que as flores.Delirantes os dois,brincando de perfumar com suspiros e encantos,todo o vento que passeava ocioso pelo universo,naquelas tardes de anil.Guardei meus espinhos,e apertei-os contra meu peito,para que jamais pudessem te ferir..
Agora o frio e tanto,que o que antes era nectar e doçura,agora e neve.Minha alma e neve.
Se eu tivesse a delicadeza das flores,me desmancharia em tuas maos,ou na fantasia delas...morreria em teus beijos ou no delirio deles.E o odio,pela fortaleza injusta do corpo e a fragilidade de minha alma me consome.
Amo a noite em que todas as flores do mundo sonham embevecidas com os caninos do amor.Amo partilhar com elas o vicio.Amo-lhes a beleza da ruina.Invejo-lhes.Amo a noite as vezes num sonho,sou uma flor.

Escrito por gabrielle violet às 21h24
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

18/04/2008


_A DAMA DO ESPELHO

Eu a vi coberta pelo veu de utopias
Que a guarda casta e invisivel
Tinha os labios feridos de beijar o impossivel
Tinha os olhos cegos de de vasculhar esferas astrais
E floriam teus olhos,idolatrias celestiais
Onde sorrisos e lagrimas
deleitavam nupcias imorais.
Carregava na fina tez do rosto,
Todos os beijos que o amor esboçou
E cicatrizavam em seu peito,
AS fomes que com dolencia saciou.
Ela derramava como vinho, sua beleza
Sob a tarça dos sedentos.
fazia perolas de suas lagrimas ,por delicadeza.
Olhei em teus olhos de precipicios,
E soube que era ela
A mae sofrega e devotada da saudade
A que sepulta sua alegria
numa masmorra de rosas purpuras ,
violadas pela fatalidade.
Ela penava o karma etereo das lendas,
Se condenava a fenecer de doçura,
Vi em teus seios a solidao das estrelas em fendas,
E a deixei agonizar,
Feliz e pura...

Escrito por gabrielle violet às 12h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

14/04/2008


Poema das finas prendas

14/04/2008


Poema das finas prendas

Amo-lhe tanto...
Que sonho em beijar-te
eternamente e sempre com adorações copiosas,
Ate que tornem meus lábios, pústulas deliciosas
Escravos reverentes e zelosos,de teu infinito esplendor.

Amo-lhe tanto...
Que destilaria minh'alma toda em rosas,
Jasmins,sândalos e violetas cheirosas,
Apenas para perfumar-te a suave pele formosa.

Amo-lhe tanto...
Que trituraria com jubilosa euforia,
Todo meu coração com a poeira cintilante das estrelas,
Para pousar sobre os teus olhos e enche-los de poesia.

Amo-lhe tanto...
Que de tão doce o meu pranto,
Dele farei um mel sacrossanto
Para adoçar-lhe as amarguras da vida,
E para que não haja jamais entre nos,despedida...
(Gabrielle Violet)

 

Escrito por gabrielle violet às 21h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

11/04/2008


Inferno de Venus

Soa a sentença de outro galante cortejo,
Que enlaça- me a alma,atroz
Voltam a inflamarem meu peito,
Romances e eras, que morreram com um beijo veloz.

E sentirei a doçura mastigar-me os sentidos,
Encontros e frenesis...
Vestirei teus labios em meu corpo pungido
E encarnarei teus sussurrros febris.

Convulsionarei-me,nesta peste de beleza obcena e pura
Nesta catarse de delicias infernais,
Neste carcere lascivo,
Neste baile perfido de promessas e juras fatais.

Em minhas veias,o reinado do caos e das vertigens letais,
Em meu peito flagelado,
Se estende soberano,o jardim dos punhais.
Sou a musa venerada do leito dos ultimos ais!

Escrito por gabrielle violet às 20h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil

Meu perfil
BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, PAMPULHA, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Livros
Outro -

Histórico